Brasília,
Brazil
February 13, 2004
Janaína
Almada
Repórter da Agência
Brasil
A Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) tem intensificado os projetos de
cooperação com países africanos. Em março, técnicos da estatal
brasileira vão à Namíbia para colocar em prática o acordo de
parceria firmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no
final de 2003, quando visitou aquele país. O interesse da
Namíbia é poder plantar frutas como manga, mamão, abacate e
frutas cítricas, em especial a laranja de alta qualidade. Além
disso, o cultivo da soja na região também será estimulado.
Como o solo namibiano é muito pobre, as forrageiras,
técnica utilizada no Brasil para a recuperação de solos
degradáveis, também será levada ao país africano. A ajuda
brasileira reforça a tentativa de erradicar a fome na região.
Essa parceria, no entanto, não será apenas em benefício dos
africanos. Ao oferecer a tecnologia para as plantações, o Brasil
irá ter acesso ao germoplasma, material genético das plantas do
país.
A mandioca e a manga africanas são de espécie diferentes das do
Brasil. Conhecendo esse material genético, será possível avançar
nas pesquisas brasileiras. A Embrapa terá acesso, também, a
alimentos, grãos e ao processo de cultivo africano. Além disso,
a parceria com outros países, com o objetivo de trocar
informações, poderá favorecer o Brasil na abertura de novos
mercados comerciais.
Experiências com a Namíbia
O primeiro projeto fechado entre o Brasil e a Namíbia foi feito
em 1996 e durou apenas dois anos. Apesar de ter sido uma
parceria que deu certo, o projeto não teve continuidade. As
parcerias entre Brasil e África são proveitosas, pois ambos têm
características muito próximas como, por exemplo, o clima.
Atualmente, a África trabalha com a agricultura de subsistência.
Por isso, tem a Embrapa como um espelho, já a instituição
desenvolve grandes pesquisas e tem muita experiência no setor.
Outras experiências
A troca de experiências da Embrapa com outros países do mundo é
frequente. Grande maioria dos países africanos de língua
portuguesa já contam com o apoio das pesquisas brasileiras. A
ida de pesquisadores para esses países, com o objetivo de
prestar consultoria em diferentes áreas, abrangendo distintas
culturas, provocou o aumento de demanda pela cooperação
brasileira no setor agrícola, por parte da África, tais como
Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Namíbia.
Além da África estão sendo desenvolvidos trabalhos conjuntos nas
áreas de biotecnologia, recursos genéticos, agroindústria e
recursos naturais com países como a Argentina, Chile, Uruguai,
Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Guiana e
Suriname. |